Dia Internacional da Mulher: Uma reflexão sobre a mulher idosa
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Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, queremos propor uma reflexão que vai além das homenagens. Um convite para olhar com mais atenção para a longevidade feminina e para a realidade vivida por milhões de mulheres idosas no Brasil.
Segundo o IBGE, as mulheres brasileiras têm uma expectativa de vida média de 79,9 anos, quase sete anos a mais que os homens. É um dado que merece ser celebrado, pois reflete avanços sociais, melhorias nas condições de saúde e transformações que contribuíram para que as mulheres vivam mais.
Mas esse número também nos leva a uma pergunta essencial: como esses anos estão sendo vividos?
A maior longevidade feminina traz consigo um fenômeno conhecido por especialistas como o paradoxo da longevidade: as mulheres vivem mais, porém nem sempre com a mesma qualidade de vida. Doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos e maiores demandas de cuidado fazem parte da realidade de muitas mulheres na velhice.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, o Brasil possui mais de 17,8 milhões de mulheres com 60 anos ou mais, representando cerca de 55,7% da população idosa. Isso evidencia não apenas a presença marcante das mulheres no processo de envelhecimento da população, mas também a necessidade de olhar com mais atenção para suas condições de saúde, autonomia e qualidade de vida.
Ao longo de suas trajetórias, muitas dessas mulheres enfrentaram barreiras no acesso à educação, ao mercado de trabalho e à independência financeira. Além disso, durante décadas, acumularam múltiplas responsabilidades, conciliando trabalho, cuidado com a família e tarefas domésticas. Essas experiências ajudam a compreender por que muitas chegam à velhice em condições de maior vulnerabilidade.
Como destaca a Dra. Ivete Berkenbrock, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), “é de suma importância que possamos trazer à tona pautas direcionadas aos direitos sociais da população idosa, em especial aos da mulher idosa. Que tenhamos um olhar mais atento a esse público que executa um papel social importante e que muitas vezes é invisibilizado.”
Nesse contexto, o Dia Internacional da Mulher também se torna uma oportunidade para ampliar o debate sobre a saúde feminina na terceira idade. O envelhecimento é uma etapa natural da vida, mas precisa ser vivido com qualidade, respeito e dignidade. Garantir acesso a cuidados de saúde adequados, incentivar hábitos saudáveis e oferecer suporte emocional são fatores essenciais para que as mulheres idosas possam viver essa fase com mais autonomia e bem-estar.
Mais do que números ou estatísticas, cada mulher idosa carrega uma história marcada por experiências, contribuições e aprendizados que ajudaram a construir a sociedade em que vivemos hoje. Reconhecer esse legado é parte fundamental de um olhar mais humano sobre o envelhecimento.
Que este dia nos lembre não apenas de celebrar as mulheres, mas também de garantir que todas as etapas da vida — inclusive a velhice — sejam vividas com respeito, visibilidade e cuidado. Afinal, valorizar a mulher idosa é reconhecer sua história e reafirmar o compromisso com um envelhecimento mais digno para todos.





















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